Estilista resgata a atmosfera rica e sensual dos cassinos de Las Vegas, em coleção superestampada, brilhante e cheia de movimento
Todo o glamour decadente do Cine Odeon, localizado na Cinelândia do Rio de Janeiro, fez do desfile de inverno 2011 do estilista Victor Dzenk um espetáculo ainda mais emocionante. Com passarela aberta por jogo de luzes incandescentes (que quase cegaram o público em um primeiro momento), as modelos desfilaram peças repletas de estampas digitais de mil cores e print animal, com muito movimento e sensualidade.
O clima de megaprodução sofisticada tem justificativa. A coleção de Dzenk foi inspirada nas dançarinas dos cassinos de Las Vegas. A explosão de cores e brilhos é também homenagem ao californiano Bob Mackie, conhecido por ter revolucionado o uso de paetês, e pelo figurino de divas como Cher e Diana Ross.
Entre as principais novidades da temporada estão o jeans resinado, metais com banho black, malha prene, moleton adornado de placas douradas e semialfaiataria. Bordados ricos, pedrarias forradas com estampas e aplicações de fitas criam efeito tridimensional em vestidos curtos e longos. Rayon, seda e cetim foram explorados com drapeados e franzidos. Peles enriquecem as produções em cores vibrantes, e se encaixam na atmosfera de poder da coleção, que ainda tem tricô e lã.
Como must have da estação fria estão os casacos peludos, em azul e rosa. Também é interessante o jogo de hot pant com legging, tudo de print animal, com cauda espalhafatosa. As leggings nude, aliás, são fundamentais uma vez que as fendas de Dzenk são profundas e constantes. Os decotes, em longos esvoaçantes à moda dos caftãs e também nos modelos de vestidos de comprimento midi, revelam o colo feminino de maneira que vai além do sensual, com elegância e classe.
A série de dourados, que representa a riqueza dos cassinos, tem como o trenchcoat midi como peça principal. Babados aparecem adornando barras, mangas e golas. A gola também vem em tamanho maxi, como se fosse uma estola de pelo tingido de tomate. O macacão revela a face moderna da mulher da "cidade do pecado", soltinho na parte de cima e bem afunilado na canela. A modelo Bruna Tenório desfilou uma das peças mais incríveis, o body nude que só não foi confundido de vez com a pele por conta do bordado de predraria brilhante, ao estilo dos diamantes. Por falar em pedraria, os vestidos de punho bordado (também brilhante) chamaram a atenção de longe.
O tomara-que-caia divide a cena com os vestidos de um ombro só, com atenção para o modelo estampado, com manga única morcego. A cintura vem marcada por drapeados e bordados exageradamente brilhantes, quase kitsch. As plumas aparecem no bolero curto bordado com pedras, sobre vestidão. As transparências são leves, quase imperceptíveis, graças à força da estamparia digital.
Dzenk usa o truque já utilizado por Karl Lagerfeld, na Chanel (e tantas outras maisons), o de deixar o sapato e a meia inteiriços, na maioria das vezes com estampa idêntica ao do vestido. Olhos de gatinho ganham versão de espetáculo, com delineador perfeito na parte superior da pálpebra, combinados com a boca roxa escura (e também vermelha), bem norturna.
Para quebrar as cores vibrantes das estampas, Dzenk também aposta nos pretinhos, nada básicos. O longo esvoaçante de seda mostra as pernas com fendas duplas que recortam a parte da frente e quase mostram tudo, mas o caimento e o movimento da forma não permitem.
Fotos: Celso Pupo/Fotoarena
Victor Dzenk - Senac Rio Fashion Business
Por Marie Fava












