O conceito de democratização da moda conquista e invade as redes de fast fashion de todo o mundo
O fenômeno midiático que envolve redes de fast fashion - como H&M, C&A e Topshop - e parcerias de peso, que enlouquecem os fashionistas amantes da moda, começou em 2004 quando Karl Lagerfeld assinou uma coleção acessível para a gigante sueca H&M. As redes de fast fashion sabem direitinho como causar frisson e desejo incontrolável nos fashionistas. De acordo com o que foi divulgado à imprensa na época, 90% do estoque disponível da coleção evaporou das prateleiras em menos de duas horas.
Na sequência, Viktor and Rolf, Roberto Cavalli, Stella McCartney, Madonna, Comme des Garçons, Matthew Williamson, Jimmy Choo, Sonia Rykiel e Lanvin by Alber Elbaz atacaram como designers convidados, criando coleções acessíveis para a H&M. Na época da coleção de Viktor and Rolf e Matthew Williamson, era possível encontrar peças dias após o lançamento, sem fashionistas histéricas, filas homéricas e senhas de acesso. Já para o lançamento a linha de Sonia Rykiel, a H&M preparou um desfile suntuoso e encantador no Grand Palais (onde acontecem as principais apresentações da Chanel) com direito a convidados famosos e tops de peso. Para a coleção da Lanvin by Alber Elbaz, a rede sueca instigou os fashionistas com vídeos na internet meses antes do lançamento, organizou desfile em Nova York com plateia de peso e Anna Dello Russo, Pixie Geldof e Dree Hemingway na passarela. O resultado? Fashionistas que madrugaram em frente às lojas, formando filas gigantes na véspera do lançamento e aumento de 17% no faturamento mensal da rede.
Mas a democratização da moda vai além das parcerias poderosas da H&M. Durante três anos, a Topshop lançou 14 coleções assinadas pela top Kate Moss. A Uniqlo também tem sua parcela de (boa) culpa: a hypada estilista alemã Jil Sander lançou quatro coleções com preços acessíveis e design impecável em parceria com a fast fashion japonesa. Com menos publicidade e divulgação, por lá as comprinhas de grife pagando menos são bem mais tranquilas. Em 2009, Stella McCartney associou-se à GAP para criar peças infantis com preços acessíveis. E a partir desta quarta-feira (23) as brasileiras vão poder comprar as peças feitas por ela para 38 lojas da C&A no País.
No Brasil, tudo começou em 2001, quando Fause Haten desenvolveu uma linha para a Riachuelo. Em 2009, o estilista Reinaldo Lourenço lançou uma coleção em parceria com a C&A. Ao final do mesmo ano, Isabella Capeto desenvolveu uma coleção infantil para a C&A. De lá pra cá, Maria Bonita Extra, Amir Slama, Gloria Coelho e Alexandre Herchcovitch incentivaram a moda grifada pagando menos na C&A, Oskar Metsavaht, da Osklen, Marcelo Sommer e Cris Barros na Riachuelo… É parceria que não acaba mais. A democratização está mais forte do que nunca e parece ter muito fôlego para continuar. Os fashionistas agradecem!
O estilista Karl Lagerfeld participou até das campanhas da coleção para a H&M
Coleção de primavera-verão 2011 de Jil Sander para Uniqlo
As propagandas da Uniqlo abusam das tops brasileiras
Sonia Rykiel para H&M Fashion Show no Grand Palais, em Paris
Coleção de lingeries de Sonia Rykiel para a fast fashion H&M
Coleção especial da grife Jimmy Choo para H&M
Matthew Williamson para H&M
Kate Moss para a TopShop 2011
Campanha publicitária da coleção da Lanvin by Alber Elbaz para H&M
Anna Dello Russo, da Vogue Japão, desfilou na passarela da H&M com um vestido rosa desenhado por Alber Elbaz
Coleção infantil de Stella McCartney para GAP
A coleção da Comme des Garçons para H&M veio repleta de modelos assimétricos e estampas de bolinhas
Fotos: Reprodução
Por Alline Cury











