quarta-feira, abril 27, 2011

Pierre Cardin desfila no Iguatemi com um pé no passado

Estilista, que está no Brasil para uma série de eventos, fez apresentação de 200 looks, entre masculinos e femininos

Foto: Eduardo Lopes

Cores fortes, como pede a tendência de color blocking, na passarela de Pierre Cardin


Irregular. Isso é o mínimo que se pode dizer do desfile apresentado por monsier Pierre Cardin, um dos mais antigos estilistas em atividade, cuja história exige respeito e credibilidade. O criador, que está no Brasil para celebrar 60 anos de carreira com a abertura de uma exposição em sua homenagem, levou à passarela armada no Shopping Iguatemi, algo em torno de 200 looks, repletos de auto-referências e, por isso mesmo, irremediavelmente datados.
Cardin parou no tempo, o que, para a moda, nem sempre é um defeito, uma vez que faz parte da engrenagem reedições de propostas e influências. Tanto é assim que os melhores momentos da longa apresentação ficaram para os mini vestidos de lã usados com botinhas de cano curto, uma silhueta típica dos anos 60 que, por alguma razão insondável, volta a agradar o olhar.
O mesmo não se pode dizer dos longos drapeados com costas emendadas, ou às 'asas' de tecidos que pendem de micro vestidinhos bordados. Sem os penduricalhos, é certo que funcionariam melhor como roupa de festa. Cardin vai de básicos tricôs a elaboradas construções geométricas, passando por comportadíssimos tailleurs de tweed coloridos, até chegar a arrojos como macacões metalizados ou bordados com paetês e ótimos casacos de cores intensas, como pede a tendência do color blocking.
Já o cetim grita em grande parte da coleção, aderindo ao corpo de ingênuas new faces, ainda sem estofo para andar quilômetros como exigido em um desfile desse porte. O casting comprometeu a apresentação. Faltou pegada, firmeza e glamour. Sobrou estranhamento, especialmente para quem se habituou, no Brasil, a entender Pierre Cardin como sinônimo de jeans e ternos masculinos populares.
No mercado nacional, o nome de Cardin sofreu um desgaste por conta da distribuição irregular sofrida pela marca nos anos 90 - e da qual não se recuperou até hoje. Pierre Cardin resiste em algumas multimarcas masculinas, mas está longe de ser o que sua história e seu desfile revelam.
A moda para homens de Pierre Cardin mostrada no Iguatemi pouco dialoga com o feminino, exceto em looks unissex, bem ao gosto dos anos 70.  Se a mulher Cardin gosta de panos esvoaçantes, o homem é compacto, rígido, metido em construções de tecidos tecnológicos e encorpados. O resultado parece figurino de filme antigo de ficção científica. Melhores os blazers de alfaiataria, com abotoamento rejuvenescido por ferragens no lugar de botões.
Ao final, um momento Kate Middleton, para ficar com a noiva da semana como referência. Muito laço, muito drapeado e muitas rendas fazem as ‘noivas’ de Pierre Cardin, que entrou ao final do longo desfile e foi aplaudido de pé, em sinal de respeito por sua trajetória - que inspira a exposição sobre seus 60 anos de carreia que será aberta nesta sexta-feira, também no Iguatemi, para o público em geral. Confira, na galeria, alguns dos looks apresentados no desfile retrospectiva do estilista.
Fotos: Eduardo Lopes

Desfile Pierre Cardin

Por Deborah Bresser 


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